Neste guia, vamos abordar passos práticos para diagnosticar o Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID F411), desde as primeiras conversas até ferramentas padronizadas de avaliação e como excluir causas físicas.
Com a abordagem certa, as ferramentas adequadas e um pouco de paciência, diagnosticar o TAG pode ser uma das partes mais gratificantes da sua prática.
Diagnosticando o Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID F41.1)
Diagnosticar o TAG é um equilíbrio entre arte e ciência. Não é tão simples quanto solicitar um exame de sangue ou olhar para um raio-X. Em vez disso, exige uma combinação de observação cuidadosa, perguntas reflexivas e uma boa dose de paciência tanto do clínico quanto do paciente. A ansiedade pode ser uma camaleoa, apresentando-se de maneiras que inicialmente podem parecer algo completamente diferente. É como descascar uma cebola, camada por camada, até chegar ao problema central.
Comece com uma Conversa
Quando um paciente entra no consultório reclamando de preocupação constante, pensamentos acelerados ou inquietação persistente, o instinto pode ser mergulhar diretamente nos critérios diagnósticos. Porém, o TAG nem sempre se apresenta de forma tão óbvia. Frequentemente, os pacientes mencionam fadiga, tensão muscular, dificuldade para dormir ou até sintomas gastrointestinais vagos. Não é incomum que alguém com TAG procure um gastroenterologista ou cardiologista antes de chegar até você.
Por isso, o primeiro passo é construir confiança. Faça perguntas abertas, como:
"Você pode me contar mais sobre como suas preocupações afetam sua vida diária?" ou
"Quando foi a última vez que você se sentiu realmente relaxado?".
Esses pequenos convites geralmente revelam muito mais do que uma lista de verificação jamais poderia.
Critérios do DSM-5 e CID-10
Na hora de ser mais técnico, a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) fornecem o padrão-ouro para diagnosticar o TAG. De acordo com o CID F411, o TAG é caracterizado por
preocupação excessiva e ansiedade sobre múltiplos eventos ou atividades por pelo menos seis meses
Acompanhados por pelo menos três dos seguintes sintomas:
Inquietação ou sensação de estar no limite
Fadiga fácil
Dificuldade de concentração ou mente em branco
Irritabilidade
Tensão muscular
Distúrbios do sono
Mas aqui está o ponto chave: a ansiedade ou preocupação deve ser difícil de controlar e não ser mais bem explicada por outra condição de saúde mental, uso de substâncias ou um transtorno médico. Essa distinção é crucial porque os sintomas de ansiedade frequentemente se sobrepõem a condições como hipertireoidismo, transtornos cardiovasculares ou abstinência de substâncias.
O Poder das Ferramentas Padronizadas de Avaliação
Se você ainda não está usando ferramentas como o questionário GAD-7 (baixe o nosso modelo nesse artigo), é hora de incorporá-las ao seu processo diagnóstico. Essa escala rápida, de sete perguntas, é incrivelmente eficaz para quantificar a gravidade dos sintomas de ansiedade. Pontuações de 10 ou mais geralmente indicam ansiedade moderada a grave e exigem mais investigação ou intervenção.
Outras ferramentas, como a Escala de Avaliação de Ansiedade de Hamilton (HAM-A), também oferecem uma maneira estruturada de avaliar a intensidade dos sintomas. Mas lembre-se: ferramentas são apenas ferramentas — estão lá para apoiar seu julgamento clínico, não para substituí-lo.
Exclua Causas Físicas Primeiro
A ansiedade pode imitar ou mascarar doenças físicas, então um exame físico completo e exames laboratoriais são indispensáveis. Verifique desequilíbrios da tireoide, anemia ou deficiências vitamínicas. Doenças crônicas como diabetes ou até condições de dor crônica podem alimentar a ansiedade. Se algo parecer fora do comum no perfil de saúde física do paciente, trate isso primeiro.
A Importância das Comorbidades
Aqui está algo que nem sempre discutimos: o TAG raramente caminha sozinho. Depressão, outros transtornos de ansiedade ou abuso de substâncias costumam estar presentes. Segundo artigo da Pfizer,
cerca de 25% dos casos de TAG está acompanhado de outras doenças psiquiátricas, sendo a depressão a mais comum.
Ignorar essas comorbidades pode prejudicar a eficácia do seu plano de tratamento, então certifique-se de rastreá-las durante o processo diagnóstico.
Leve o Tempo que For Necessário
Diagnosticar o Transtorno de Ansiedade Generalizada não é algo que se resolve em uma consulta de 15 minutos. Requer tempo, paciência e disposição para realmente ouvir a história do paciente. Lembre-se, eles provavelmente estão convivendo com esses sintomas há meses, senão anos, antes de buscar ajuda.
Quando feito corretamente, um diagnóstico preciso pode ser libertador — não apenas para o paciente, mas também para você como médico. Há uma satisfação genuína em poder dizer: "Eu sei o que está acontecendo e aqui está como vamos lidar com isso juntos."
Então vá devagar, mantenha-se curioso e confie no seu instinto clínico — ele já te trouxe até aqui por um bom motivo.
Conclusão
Diagnosticar o Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID F41.1) não se resume a preencher caixas — é sobre conectar-se com o paciente, fazer as perguntas certas e excluir outras causas possíveis.
É um processo delicado, mas que pode mudar vidas profundamente quando feito com cuidado e precisão. Se há algo para lembrar, é isso: confie nas ferramentas, ouça a história do paciente e vá com calma.
Gerenciar uma primeira consulta para o diagnóstico de TAG pode ser desafiador. É preciso conectar com o paciente, fazer anotações para o prontuário e ainda pensar na conduta e na receita. Tudo isso, muitas vezes, precisa ser feito durante a consulta, para que o paciente saia com um plano de tratamento. A boa notícia é que já existe uma forma mais fácil de fazer isso, onde você só precisa prestar a atenção no paciente. O restante a inteligência artificial faz para você.
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